Tuesday, June 17, 2008

Hum!!!


São cinco da tarde, a porta continua a ser demolida à pancada e com ela toda a minha vontade de dedicar esta tarde à fina arte da contemplação.

Pregado ao sofá por longas e invisíveis espias, sou como uma tenda tuaregue, que sobrevive intacta ao mais violento vendaval, uma muralha impenetrável mesmo que violentada por um exército de sete nações.

Mas a vontade não é tudo na vida e a esta altura parece-me evidente que alguém terá que ceder. Após uma rápida leitura dos factos, rapidamente constato que os os ossudos dedos da evidência apontam desdenhosamente para mim.

A custo e contrariando todos os milímetros de vontade do meu corpo lá me começo a mexer. Primeiro o crânio e como ele, osso após osso, músculo após músculo, o que resta o meu inerte ser.

Projectando com violência os pés contra o chão precipito-me na direcção da porta, encavernando os olhos de tal forma que nenhum ser vivo se manterá de pé à sua passagem.

Poderia a esta altura continuar a descrever de forma épica o meu assalto ao exterior e o meu ataque aquele(a) que me destruiu a paz, mas direi apenas e com os ombros baixos, que quando abri a porta nada mais havia do lado de fora do que um papel azul dizendo a letras brancas…

Obrigado!!!

 

Posted by in 16:13:01
Comments

Leave a Reply