Wednesday, June 18, 2008

De nada…


Nada fiz que mereça agradecimento, nem sincero nem irónico.

A ninguém dei a mão ou atirei o pé, mas pela firmeza do traço depreendo que a

afirmação é sincera.

Ao longe nada mexe, ninguém foge, nenhuma pegada denuncia presença humana,

nenhum ramo partido indicia passagem ou

fuga…

São seis da tarde.

Sentado na soleira da porta fito o papelinho azul na esperança que algo apareça nas

entrelinhas…

Sem dar por ela volto a submergir num rectângulo azul que emoldura o mundo.

Posted by at 17:10:06 | Permalink | No Comments »

Tuesday, June 17, 2008

Hum!!!


São cinco da tarde, a porta continua a ser demolida à pancada e com ela toda a minha vontade de dedicar esta tarde à fina arte da contemplação.

Pregado ao sofá por longas e invisíveis espias, sou como uma tenda tuaregue, que sobrevive intacta ao mais violento vendaval, uma muralha impenetrável mesmo que violentada por um exército de sete nações.

Mas a vontade não é tudo na vida e a esta altura parece-me evidente que alguém terá que ceder. Após uma rápida leitura dos factos, rapidamente constato que os os ossudos dedos da evidência apontam desdenhosamente para mim.

A custo e contrariando todos os milímetros de vontade do meu corpo lá me começo a mexer. Primeiro o crânio e como ele, osso após osso, músculo após músculo, o que resta o meu inerte ser.

Projectando com violência os pés contra o chão precipito-me na direcção da porta, encavernando os olhos de tal forma que nenhum ser vivo se manterá de pé à sua passagem.

Poderia a esta altura continuar a descrever de forma épica o meu assalto ao exterior e o meu ataque aquele(a) que me destruiu a paz, mas direi apenas e com os ombros baixos, que quando abri a porta nada mais havia do lado de fora do que um papel azul dizendo a letras brancas…

Obrigado!!!

 

Posted by at 16:13:01 | Permalink | No Comments »

Monday, June 9, 2008

Nada mais entre nós…


Ao mesmo tempo que as nuvens borratam o azul do céu com o seu branco de

algodão doce, uma obstinada mosca decide com o

zumbido das suas asas trazer-me de volta ao mundo.

São quatro da tarde.

Saberão como eu que é Junho e o Verão baixou finalmente os braços contestatários,

encolheu os ombros em jeito de derrota, disse

adeus à greve.


As nuvens já desapareceram, pelo menos no enquadramento

da janela que me emoldura o mundo real. Lá fora como cantaria a

Velha Guarda da Portela, tudo azul.


Depois da mosca, a porta.


Pela intensidade do ruído parece que do outro lado está alguém com pressa,

mas deste nada mais há que calma, pelo que vou

deixar que se canse, que volte mais tarde, que não volte mais,

porque aqui está tudo azul.

 

Posted by at 11:25:31 | Permalink | No Comments »