O meu bem querer aportou-me da cidade da luz um pequeno caderno pautado, este pequeno caderno pautado, Onde agora me confesso sob a forma de letras pouco legíveis…
Na capa ostenta vaidoso o “L’acrobate blue”, um quadro do Picasso com sabor a Matisse.
Tenho por habito ou vício, não sei bem, coleccionar cadernos, blocos, agendas, um sem fim de folhas lisas ou pautadas, criteriosamente vestidas com capas cuidadas, onde raramente escrevo ou desenho mais do que duas ou três páginas, acho que lhes perco o interesse ou intimamente temo que percam o interesse em mim.
Hoje inauguro um novo caderno vindo especialmente de Paris, de forma a tentar destruir aquilo a que os mais próximos apelidam de “a terrível condição da preguiça criativa”, condição que ao que parece me acompanha desde o primeiro dia de vida.
Ainda assim à quem insista em subornar o meu inerte ser com cadernos e canetas, nas esperança que a minha estéril imaginação procrie, não sei bem porquê.
Enfim, o importante é faze-los acreditar.