Wednesday, July 11, 2007

Agora sim…

Ai Portugal porquê que me andas a tratar tão mal?
Para onde foi a tua rectangular simpatia?
Que apenas vejo arestas do mais frio quadrado.
Os teus risos outrora sinuosos e quentes ecoam hoje a pálida fotocópia a preto e branco de outros tempos
Xerox disforme e desafinada, trabalhando em dia de apagão é o que tu és.
Onde param teus homens e mulheres, Portugal, com as suas mãos ásperas e pés gretados? Que já não sinto o chão a tremer a cada volta do Vira.
Vejo apenas peles tratadas que de tão fúteis se tornaram baças, quase esverdeadas.
Já nem o teu Verão é Verão, pois mais parece um Outono amaricado, deprimente, deprimido, frio e amarelo.
Porquê que me abandonaste agora Portugal?
Agora que eu realmente preciso das tua carícias na nuca sonhadora.
O que é feito das revolucionárias promessas se apenas o erro se perspectiva aos meus olhos.
De que serviram os mundos que deste ao mundo se de uns e outros vivemos agora tão longe?
Ah Portugal, segura-me nas mãos ao menos hoje, que eu prometo amanha carregar-te em ombros e levar-te onde quiseres.
Dar-te-ei vinho doce e pão de ló e farei com que te orgulhes de mim.
Porquê que insistes em fazer que não me ouves, que mais parece que não me conheces?

Vá, desliga o telemóvel, fala comigo nos olhos, sente o meu cheiro, desde daí, vamos redescobrir-te juntos.
Assume o que és e deixa de tentar se aquilo que gostavas de ser, que as plumas parisienses e as bebidas transparentes do norte não de caem nada bem.

Bem sei que não me ouves e sinto a combustão da saudade de todos aqueles que como eu se fartaram da espera.
Por isso e para não alongar mais a angustia, considera esta palavras como uma despedida de alguém que te quer bem e se delas que quiseres servir tanto melhor.

Aproveito também estas linhas para calorosamente me despedir daqueles que durante um ano me fizeram companhia ainda que do outro lado deste fio invisível.

A todos muito obrigado e adeus…

Alcebíades José

 

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Monday, July 9, 2007

Nástio…

E era ver o Alcebíades José a tirar as vezes à Pema, arrastando a sandália e balançado a anca frenética sobre o chão negro do S. Jorge.

E na ironia da curva, num cinema abafado e cheio de gente, ainda deu para ver uma estrela nascer, de seu nome Nástio Mosquito.

Embora navegando em águas bastante afastadas das deste vosso fiel amigo, Nástio Mosquito é o comunicador mais entusiasmante que a minha preguiçosa retina pode deslumbrar nos últimos anos. Acutilante, erudito, genuíno.

Acho que realmente Angola não te respeita.

E agora toca a voltar à vida real, que o povo não pode esperar.

 

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Thursday, July 5, 2007

Enquanto preparava as malas para a jornada que se aproxima, dei por mim a trautear uma das mais espectaculares e enigmáticas música do cancioneiro popular anglo-saxónico, que o séc. XX pela mão dos célebres Carpinteiros nos ofereceu.

“Há uma espécie de hush
Por todo o mundo esta noite
Consegue-se ouvir o som
Dos apaixonados a apaixonarem-se…”

Sempre achei esta canção fabulosa, por mais “cueca” que ela possa soar, mas mais do que gostar, ela suscita-me uma dúvida, que ameaça tornar-se existencial.
Será que alguém me consegue descrever qual é o som que os apaixonados fazem quando se apaixonam?

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Wednesday, July 4, 2007

Ora cá vamos nós…

É com o coração a tremer que carrego no grande travão do tempo e coloco no “pause” a minha fulgurante campanha rumo ao poder.

Alcebíades e os seus pares, vão por breves dias deixar para trás este canto da serra, docemente beijado pelo rio Sereno e rumarão à Capital.

Os motivos são muitos e variados, falta de ar, vontade de ver, ouvir e falar, matar saudades dos que estão longe, mas sobretudo o Ricardo II ou melhor o Afazerense António Júlio.

Afazeres em peso prepara as malas, as campanhas param, para em uníssono podermos aplaudir este ilustre filho da terra que ao que consta tem brilhado no palácio de D. Maria.

Se por acaso mora na Capital e se cruzar durante o fim-de-semana com um grupo de curiosos sonhadores, não se assuste, somo do bem.

 

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