Agora sim…
Ai Portugal porquê que me andas a tratar tão mal?
Para onde foi a tua rectangular simpatia?
Que apenas vejo arestas do mais frio quadrado.
Os teus risos outrora sinuosos e quentes ecoam hoje a pálida fotocópia a preto e branco de outros tempos
Xerox disforme e desafinada, trabalhando em dia de apagão é o que tu és.
Onde param teus homens e mulheres, Portugal, com as suas mãos ásperas e pés gretados? Que já não sinto o chão a tremer a cada volta do Vira.
Vejo apenas peles tratadas que de tão fúteis se tornaram baças, quase esverdeadas.
Já nem o teu Verão é Verão, pois mais parece um Outono amaricado, deprimente, deprimido, frio e amarelo.
Porquê que me abandonaste agora Portugal?
Agora que eu realmente preciso das tua carícias na nuca sonhadora.
O que é feito das revolucionárias promessas se apenas o erro se perspectiva aos meus olhos.
De que serviram os mundos que deste ao mundo se de uns e outros vivemos agora tão longe?
Ah Portugal, segura-me nas mãos ao menos hoje, que eu prometo amanha carregar-te em ombros e levar-te onde quiseres.
Dar-te-ei vinho doce e pão de ló e farei com que te orgulhes de mim.
Porquê que insistes em fazer que não me ouves, que mais parece que não me conheces?
Vá, desliga o telemóvel, fala comigo nos olhos, sente o meu cheiro, desde daí, vamos redescobrir-te juntos.
Assume o que és e deixa de tentar se aquilo que gostavas de ser, que as plumas parisienses e as bebidas transparentes do norte não de caem nada bem.
Bem sei que não me ouves e sinto a combustão da saudade de todos aqueles que como eu se fartaram da espera.
Por isso e para não alongar mais a angustia, considera esta palavras como uma despedida de alguém que te quer bem e se delas que quiseres servir tanto melhor.
Aproveito também estas linhas para calorosamente me despedir daqueles que durante um ano me fizeram companhia ainda que do outro lado deste fio invisível.
A todos muito obrigado e adeus…