Monday, April 23, 2007

Um pouco ausente eu sei.

Alcibíades o que é feito que não te vemos, não te ouvimos, e mal te lemos?

Destas coisas é feita a vida e a minha não é excepção. Não lhe chamarei prioridades que mais importantes não são. São apenas caminhos vindos não sei de onde, que se intersectam com o nosso e ai só nos resta ir, ir com a corrente sem resistir para não arriscar lesões.

Animem-se que estou de volta, ainda que com um pé dentro e outro fora, mas a confusão emocional tem sido de tamanha dimensão cá em casa que os electrodomésticos sucumbiram em catadupa ao choque daí que este invisível elo que nos liga tem andado adoentado.

Ana, a minha Doce Ana voltou e com ela trouxe um estranho companheiro a quem ela chama de marido e que ao que consta se apelida de Pilot, nem mais, Pilot e lê-se com prenuncia nórdica.

Como se não basta-se a cândida donzela andar fugida durante meses e regressar acompanhada por um viking que não prenuncia uma única palavra em português, ainda trás na barriga um arrogante barão que apesar de ter apenas três meses já provocou no materno ventre uma dilatação de um metro e vinte de raio.

Entendem agora o meu afastamento. Mas não é tudo, porque ainda há Margarida para quem a nossa casa deixou de ser o lar desejado durante uma vida, com base no incontrolável sentimento de estar a mais… Vá-se lá entender.

 

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Friday, April 6, 2007

Surpresa é pouco. Definitivamente pouco para descrever o que se passou no momento em que o povo desfez o círculo e deixou como por magia aparecer o meu pai e pela mão dele a maior revelação de todas, a Minha Doce Ana, com um sorriso do tamanho do mundo e uma barriga que nada lhe ficava a dever.

A minha mãe logicamente não resistiu ao embate e de um só golpe precipitou-se no chão, valendo-lhe naquele momento a mão atenta de Margarida que ainda assim não conseguiu evitar o pranto que o coração ofereceu ao mundo. Enquanto a multidão aplaudia deixei-me cair de joelhos na terra batida e permiti também ao meu coração libertar a emoção que o estrangulava.

Quando a presença de espírito voltou ao nosso convívio, já a Minha Doce Ana e meu pai estavam abraçados a nós. Juro que neste momento até a lua geralmente tão fria soltou um sorriso.

De uma assentada só, tivemos de volta a Relojeira, o meu pai, a Minha Doce Ana e mais um infinito de revelações que relatarei mais tarde.

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Wednesday, April 4, 2007

S/Titulo

Sem entendermos muito bem porquê, a multidão fez um círculo perfeito à nossa volta e deixou-se invadir pelo silêncio, enquanto os seus olhos se questionavam se estaríamos preparados para a surpresa.

Surpresa?!?!

 

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Monday, April 2, 2007

Da paz do dias.

Distancia não significa afastamento e esta, a que me sujeitei nas últimas semanas ainda menos.

Tenho-vos relatado pouco da minha vida, porque ela em seus métodos às vezes bizarros às vezes surpreendentes trouxe-me muito nos últimos dias, ouso dizer até, sem medo de ser exagerado, que trouxe-me tudo.

A semana que ontem nos deixou e que presenciou o distanciamento de que vos falo e que intimamente sinto a dobrar, foi cenário de um dos mais espectaculares acontecimentos de que a minha pacata existência tem memória.

Tudo começou e começo assim porque tudo tem que começar de alguma forma, com o repique fora de horas dos sinos da igreja. Tão fora de horas que o próprio sol foi apanho de surpresa enquanto comigo ainda dormia.

Acordamos eu, o sol e a restante vila de sobressalto, com um enorme ponto de interrogação a enxovalhar-nos o sono.

Vestindo-me de um só gesto corri para a praça em frente à casa do Sr. Duque, onde a população se reunia num alvoraçado silêncio. O sol saltando as higienes matinais assumiu logo o seu posto e a lua, essa mesmo sabendo que eram horas de partir decidiu ficar sentada ali ao lado assistindo de camarote a toda a cena. Sem aviso, um por um, ostentando um semblante de guerra ganha, os homens de Afazeres começaram a surgir no horizonte da estreita estrada de terra batida que no une ao resto do mundo.

A multidão não se conteve e correu em sua direcção. A agitação foi tanta que mesmo aqueles que não tinham a quem ir de encontro correram desenfreados procurando no percurso encontrar razão para a correria.

Ao cabo de exactamente dois meses a relojeira tinha finalmente chegado e com ela, toda a testosterona Afazerense.

Do nada surgiu musica e foguetes e um pequeno-almoço improvisado em jeito de piquenique, “que os homens deviam estar com fome”.
 

Correndo a meu lado, minha mãe tentava comigo encontrar o saudoso rosto ameno de meu pai, mas por entre tanta cabeça e braços e pernas e ais e uis, o seu metro e sessenta tornou-se invisível. Mas foi neste exacto momento, neste hiato de tempo que o destino no preparou, que tudo aquilo que corria desalinhado em nossas vidas, voltou num salto voluntario para o caminho da paz.

 

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