Monday, March 19, 2007

Quem pagará o enterro e as flores, se eu me morrer de amores?

Evitei até hoje cair na tentação de usar este espaço para fazer o típico comentário sobre livros, discos, filmes ou outras pretensões culturais.

Mas como as palavras que convosco aqui partilho semanalmente mais não são do que o monótono relato da minha vida, vou hoje quebrar a regra que não é regra e falar-vos de um filme que vi ontem e de um livro que li há anos e que indubitavelmente somados com mais algumas coisas pelo meio fizeram de mim o homem que aqui vedes.

Ambos vêm do país do português com açúcar, ambos relatam vidas que se quiseram vividas, ambos são grandes lições.

O livro chama-se “Nas curvas do tempo” e é o relato na primeira pessoa de uma das existências mais criativas e integras que o mundo ocidental conheceu, o arquitecto Óscar Niemeyer. Lembro que o li enquanto atravessava o país de comboio, lembro-me de quase chorar, lembro-me de pensar que também eu queria ser assim. Gosto particularmente desta obra porque o Óscar nos trata por tu, sem pudor durante todo o livro, sem medo da intimidade, abrindo-se ao mundo do alto dos seus noventa e muitos anos.

O filme chama-se “Vinicius” e é um espectacular documentário para cinema de uma vida dedicada à arte, ao amor e sobretudo aos amigos.

Não vou aqui descrever técnicas ou sensações, comentar parágrafos ou actores. Digo-vos apenas para irem, para verem e lerem estes exemplos máximos da lusofonia, porque acredito no fim sentirão com eu senti apenas a vontade de ser pessoas melhores.

Para mim a arquitectura não é o mais importante. Importantes são a família, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar.”

Oscar Niemeyer

Posted by in 10:31:55
Comments

2 Responses

  1. vague says:

    Fiquei com vontade de ler, dada a forma como te referiste ao livro. Mas…essa afirmaçáo final, com a qual eu basicamente concordo apesar de ter menos de metade da idade dele :p,
    essa afirmação não terá a ver com, precisamente, a idade dele e ser assim uma espécie de balanço?
    É q fazê-la qdo se tem 30 ou 40 anos e a vida ainda pode mudar o mundo é diferente de o fazer aos 90, quando o mundo já nos mudou a nós…

  2. Francisca Caramelo says:

    É, eu também não sabia que a arquitectura podia trazer poesia nela, até ter estudado Niemeyer. Depois percebi que a boa arquitectura é toda poesia, é preciso saber lê-la.

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