Wednesday, March 21, 2007

Parabéns!!!

S/Titulo 1

Ataste o meu coração com um fio de seda azul

O nó selaste-o com lacre encarnado

As feridas deixaste-as em aberto para que o vento pudesse entrar

E levar para longe os meus segredos

Não eram muitos nem poucos

Os suficientes para a minha alma se sentir despida

Depois, agarraste-me com força

Assim ficamos

Eu nu e tu minha dona.

S/Titulo 2

Entre lençóis estupidamente brancos

Despejo com gozo a tinta negra do passado

Abdico da trincha

Enterro as mãos no balde

Pinto-me a mim

Escrevo palavras, reinvento desenhos, sublinho memórias

Até já não haver espaço nos lençóis brancos

Depois geralmente adormeço

Pretensioso eu sei…
Mas enfim, hoje é dia mundial da poesia e como há um poeta em cada um de nós decidi expor-me. Perdoem-me.

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Monday, March 19, 2007

Quem pagará o enterro e as flores, se eu me morrer de amores?

Evitei até hoje cair na tentação de usar este espaço para fazer o típico comentário sobre livros, discos, filmes ou outras pretensões culturais.

Mas como as palavras que convosco aqui partilho semanalmente mais não são do que o monótono relato da minha vida, vou hoje quebrar a regra que não é regra e falar-vos de um filme que vi ontem e de um livro que li há anos e que indubitavelmente somados com mais algumas coisas pelo meio fizeram de mim o homem que aqui vedes.

Ambos vêm do país do português com açúcar, ambos relatam vidas que se quiseram vividas, ambos são grandes lições.

O livro chama-se “Nas curvas do tempo” e é o relato na primeira pessoa de uma das existências mais criativas e integras que o mundo ocidental conheceu, o arquitecto Óscar Niemeyer. Lembro que o li enquanto atravessava o país de comboio, lembro-me de quase chorar, lembro-me de pensar que também eu queria ser assim. Gosto particularmente desta obra porque o Óscar nos trata por tu, sem pudor durante todo o livro, sem medo da intimidade, abrindo-se ao mundo do alto dos seus noventa e muitos anos.

O filme chama-se “Vinicius” e é um espectacular documentário para cinema de uma vida dedicada à arte, ao amor e sobretudo aos amigos.

Não vou aqui descrever técnicas ou sensações, comentar parágrafos ou actores. Digo-vos apenas para irem, para verem e lerem estes exemplos máximos da lusofonia, porque acredito no fim sentirão com eu senti apenas a vontade de ser pessoas melhores.

Para mim a arquitectura não é o mais importante. Importantes são a família, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar.”

Oscar Niemeyer

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Tuesday, March 13, 2007

En la Calle.

Porra, eu não quero ser uma pedra e muito menos uma ilha, serei sim uma rua, frenética e agitada, com peixeiras e crianças a brincar, com gritos, sorrisos e olhares enamorados.

Uma rua que se calca sem medo de gastar as pedras, que desperta a curiosidade a cada curva, que provoca surpresa a cada paragem.

Que se lixe o Simon mais o Garfunkel e todos os que têm medo de viver. A Primavera chegou e trouxe nos seus braços de mel uma redobrada esperança num futuro livre.

Decidi colocar todos os objectos que me ligam a Carolina numa caixinha de metal prateado, fecha-la com muita força sela-la com um beijo e atira-la ao fundo do Sereno. Depois, sentai-me e continuo à espera que a força da corrente leve para longe esta estupidez que me aperta o coração.

Desejava portanto pedir desculpa aqueles que por dias me julgaram perdido para o mundo, aqueles que me julgaram morto vivo.

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Friday, March 9, 2007

Se possível, bem no meio do Mediterrâneo.

E porque o luto de nada serve e as lágrimas não trazem de volta os que já partiram, de nada adianta ficar aqui sentado à espera que aconteça tudo aquilo que sabemos, nunca virá a acontecer.

Por isso hoje fiz a barba, arrumei o coração, vesti uma camisola amarela e fiz-me ao mundo, de braços e olhos bem abertos, para que toda a luz e todo o calor e todas as ideias que o vento carrega nas suas asas de seda me entrem pelos poros.

A pascoa da minha vida chegou esta semana e com ela a esperança de uma primavera florida. De que adiantam os chás platónicos a meio da tarde, as noites de delírio intelectual, os dias de palpitações esperançadas se o hoje foi igual ao ontem e o ontem ao anteontem?

Nada, adianto.

Como Paul Simon, tenho meus livros e a poesia para proteger-me, guardado na minha armadura, escondendo em meu quarto, a salvo no meu útero, ninguém me toca.

I am a rock, I am an island.

E uma ilha não sente dor.

(apesar de às vezes ser acaririada por pequenas vagas).

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Wednesday, March 7, 2007

Adeus.

Sem curvas nem tempo nem estradas nem nada, assim sou eu. Uma catástrofe que se move daqui para além, como se os dias e a doce espuma rosa que deles brota iluminasse apenas os céus e os mares dos outros, daqueles que ao contrário de mim não vivem.

Daqueles que respiram, falam, vêm e como prova o Galileu até se movem, mas deram folga vitalícia ao peito e assim são mais felizes.

O meu comovido agradecimento a todos aqueles que não em abandonaram neste momento.

Não, o adeus não é aqui… é além. 

 

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Monday, March 5, 2007

Adeus.

Talvez há muito achasses que nos esquecemos de ti, talvez há muito fosses infeliz, certamente essa pele de flanela não era a que melhor te servia. Nunca chegas-te a conhecer bisnetos, e a bem da verdade até os netos te passaram ao lado, não porque estivesses longe, tu sempre tiveste lá. Mas descer ao teu quarto era mais uma viagem a um outro mundo, mais frio e desconfortável do que propriamente uma iconográfica ida à casa da avó.

Nunca fizeste bolos inesquecíveis, nunca nos contastes histórias ou nos embalaste, ainda assim nunca foi por falta de amor.

E é com esse excesso de amor a estrangular-me o peito que aqui me despeço de ti, encolhido pelo arrependimento de todas as vezes que passei à porta do quarto e em vez de entrar segui em frente, na maioria delas, para fazer o nada.

Nunca cheguei a entender se chegas-te a amar o teu marido, portanto não sei se me deva alegar com a perspectiva do reencontro ou apenas desejar-te boa sorte.

Como o meu pai está longe, cabe-me a mim assumir o tétrico e tortuoso protocolo que se avizinha.

Triste espectáculo este, de ser a parte em perda e simultaneamente o anfitrião, ter que chorar e sorrir ao mesmo tempo. Mas acho que ser adulto é isto, e por mais que não queira, há muito que sou irremediavelmente adulto.

Adeus.

 

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Thursday, March 1, 2007

Mais?…Sim por favor!!!

Chá, torradas e bolachas…

Assim foi a minha tarde, sem vinho nem trufas, mas com muita fantasia e tremendamente doce.

Carolina finalmente deu um ar da sua graça, arrombando de uma só vez a pacatez do meu ser.

Alcebídes, hoje vens lanchar cá a casa.

Juro que tremi, que corei, ouso até dizer que voei. Em choque experimentei mais de vinte camisas, enquanto Margarida e minha mãe me observavam encostadas à porta, ao mesmo tempo que o dentudo rato da curiosidade lhes ruía a consciência.

Pelo caminho roubei um par de flores do campo para saturar ainda mais a pintura, de beleza. O resto da tarde permitam-me que a guarde só para mim, pois jamais enquanto dure me hei-de esquecer dela.

Quando cheguei a casa, o meu semblante devia estar tão iluminado, que nem minha mãe, nem Margarida, nem as portas, as carpetes, as escada ou a prolongada e inexplicada ausência de meu pai, ousaram resgatar-me desta nuvem que teima em carregar-me.

 

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