Evitei até hoje cair na tentação de usar este espaço para fazer o típico comentário sobre livros, discos, filmes ou outras pretensões culturais.
Mas como as palavras que convosco aqui partilho semanalmente mais não são do que o monótono relato da minha vida, vou hoje quebrar a regra que não é regra e falar-vos de um filme que vi ontem e de um livro que li há anos e que indubitavelmente somados com mais algumas coisas pelo meio fizeram de mim o homem que aqui vedes.
Ambos vêm do país do português com açúcar, ambos relatam vidas que se quiseram vividas, ambos são grandes lições.
O livro chama-se “Nas curvas do tempo” e é o relato na primeira pessoa de uma das existências mais criativas e integras que o mundo ocidental conheceu, o arquitecto Óscar Niemeyer. Lembro que o li enquanto atravessava o país de comboio, lembro-me de quase chorar, lembro-me de pensar que também eu queria ser assim. Gosto particularmente desta obra porque o Óscar nos trata por tu, sem pudor durante todo o livro, sem medo da intimidade, abrindo-se ao mundo do alto dos seus noventa e muitos anos.
O filme chama-se “Vinicius” e é um espectacular documentário para cinema de uma vida dedicada à arte, ao amor e sobretudo aos amigos.
Não vou aqui descrever técnicas ou sensações, comentar parágrafos ou actores. Digo-vos apenas para irem, para verem e lerem estes exemplos máximos da lusofonia, porque acredito no fim sentirão com eu senti apenas a vontade de ser pessoas melhores.
“ Para mim a arquitectura não é o mais importante. Importantes são a família, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar.”
Oscar Niemeyer