Desculpa, Chavela Vargas não é uma seca.
Tenho vivido grande parte da minha curta existência, mergulhado naquilo que os especialistas e musicólogos apelidam de, desconexão cronológica musical, isto é, quando meio mundo delirava e pontapeava o outro meio, ao som dos Nirvana, eu ouvia Jefferson Airplane, quando Billy Corgan reinava com os seus amestrados Smashing Pumpkins eu delirava com os breaks de bateria dos Led Zeppelin e com os solos infinitos dos Lynyrd Skynyrd, enquanto se gritava bem alto “Firestarter” eu trauteava “Yo ya estoy deseando tener niños, y tu Quique? Oh Yo no…”
E mesmo quando os tropicalíssimos Caetano e companhia fizeram o achamento inverso, já eu estava completamente inscrito na Legião, que a essa altura até já tinha acabado.
Hoje para descontrair e aproveitando o concelho da amiga Teaspoon, que mora já ali na Rua Quieta, decidi ouvir musica com Margarida, ou melhor pô-la a ouvir musica, ao que ela reagiu tremendamente mal.
Quanto mais eu me entusiasmava na apresentação do disco, mais ela se entediava, chegando ao ponto que exclamar baixinho… “isso é uma seca”.
Como o meu coração irradia luz, concentrei-me em músicas para pessoas com o coração iluminado, que são as mais bonitas, mas ainda assim a reacção foi má, péssima.
Enfim, vamos acreditar que foi da dor de cabeça.
Entretanto continuo à espera do telefonema que Carolina, que tarda em chegar…