Hallelujah!!!
O cotovelo de tempo chegou esbaforido ao décimo segundo repique do badalo. Qual bizarra locomotiva expeliu fumo pelas narinas, bateu o pé e amedrontou o menino que ainda mal tinha aberto os olhos e deslumbrando o mundo em seu redor, e já se contorcia freneticamente ao ritmo do chocalhando testos e panelas.
O parto foi tão brutal que poucos conseguiram chegar ao ponto onde o negro manto da noite se tinge de azul.
Mas eu cá estou, puro e ileso, provando com o meu corpo, que o fim de um ano nada mais é que o inicio de um outro e outro e outro e depois outro.
Desde meados do século XIX que todos sabem que os comboios tanto levam como trazem, é da sua natureza e nada podemos fazer para alterar este fado em loop.
E assim foi com o da meia-noite. O derradeiro, levou 365 dias gastos e encorrilhados e trouxe outros tantos tenros e ingénuos, cuidadosamente embalados no plástico das bolinhas, que por agora me falha o nome.
Mas se querem saber essa é carga que pouco me interessa, porque a mais preciosa das mercadorias viajou bem arrumada e aconchegada na última das carruagens.
Ao cabo de meses de sufocante espera, finalmente chegou o aclamado endireita para os nossos reumáticos quotidianos, a resposta viva às preces, pedidos e súplicas, a paz, a última relojeira viva.